Planejamento Financeiro

Apesar de uma pesquisa global mostrar que a maioria (apertada) dos brasileiros – ou 52% deles – se considera preparada para gerenciar suas finanças, a educação financeira ainda é um desafio no País. O levantamento da Kantar Media, difundido pelo Ibope Media no Brasil e na América Latina, ouviu 20 mil pessoas em nove regiões metropolitanas do Brasil, mas ao todo entrevistou 800 mil no mundo. O estudo mostra que o brasileiro se julga bem equilibrado, já que apenas 14% disseram que gastam dinheiro sem pensar, abaixo da média mundial de 22%.

A empresa que realizou o estudo não mencionou os detalhes da amostra, mas certamente trata-se de um estrato social que tem algum tipo de acesso à educação financeira, diferentemente de pessoas com menor grau de instrução, de baixa renda, empreendedores e idosos. Quem constatou essa realidade foi outro estudo – o Mapa da Educação Financeira no Brasil, apresentado na semana passada pela AEF-Brasil (Associação de Educação Financeira), uma entidade sem fins lucrativos fundada por iniciativa da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), BM&FBovespa, CNSeg (Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização) e Febraban (Federação Brasileira de Bancos).

O mapa reuniu 803 iniciativas de educação financeira no Brasil, mas apenas 317 delas completaram o cadastro no site da AEF-Brasil. O que chamou a atenção foi o aumento de nove vezes do número de iniciativas oferecidas desde 2009. Por enquanto, as ações cadastradas não são divulgadas pela entidade, que pretende criar um selo de qualidade para as iniciativas e divulgá-las no site Vida e Dinheiro (www.vidaedinheiro.gov.br).

A maioria delas é voltada para pessoas físicas jovens (45%) e adultos (42%), em uma faixa etária que vai de 19 a 59 anos. Do total de ações, 39% são direcionadas a quem tem ensino médio e 34% para os que têm o ensino superior. Silvia Morais, superintendente da AEF-Brasil, diz que o público mais exposto ao crédito consignado, como os aposentados, carece de iniciativas específicas. “É preciso que existam mais ações voltadas para pessoas em situação de vulnerabilidade, de baixo nível educacional e de renda, além de idosos, embora não tenhamos identificado nenhum critério restritivo sobre gênero e renda nas iniciativas que mapeamos”, diz.

Outro público carente de informações é o empreendedor, já que a pesquisa mostra que apenas 1% de iniciativa na área de educação financeira é direcionado para a pessoa jurídica. “Esse é um dado preocupante, já que está relacionado ao número de empresas que perenizam ao longo do tempo. A consciência financeira de seus líderes contribui com isso”, afirma a superintendente da AEF-Brasil.

Criatividade – Segundo ela, é preciso que haja mais criatividade ao abordar os diferentes públicos. “Estamos estudando junto ao Ministério de Desenvolvimento Social formas de chegar às mulheres que recebem e consomem o recurso do Bolsa Família. Estamos tentando descobrir como chegar até elas, já que a maioria é composta por analfabetas funcionais”, afirma.

Das 317 iniciativas de educação financeira cadastradas na entidade, 47% são oferecidas por empresas públicas e privadas, sendo que boa parte são de instituições financeiras, que adotam programas para que seus clientes tomem decisões melhores. Outras 23% das iniciativas são promovidas por órgãos públicos, 19% por profissionais autônomos e 11% por organizações não-governamentais.

A boa notícia do levantamento é que 60% delas são gratuitas e 32% mistas (parcialmente pagas).

Metade das ações de educação financeira é de abrangência nacional. Quando observa-se a distribuição das ações por regiões, a Norte e Nordeste são as menos atendidas, com presença de 3% do total de iniciativas em cada uma. Há mais oferta na região Sudeste, ou 55% delas.

O mapa também mostra que existe bastante oferta de informação financeira na internet, desde noções básicas, até orientação e formação. “Será preciso conscientizar as pessoas a buscar informação, orientação e formação. O objetivo é promover a educação para o consumo e a poupança”, afirma a superintendente. Apesar da diversidade de iniciativas na área, Silvia lembra que é preciso que os agentes que promovem a educação financeira criem um sistema de avaliação para mensurar os resultados.

Benefícios – Além disso, há desafios no caminho, como detectar o quanto a educação financeira é capaz de mudar o comportamento e como oferecer esse benefício para pessoas em situação de vulnerabilidade, como a população de áreas rurais que recebe o benefício Bolsa-Família. “Detectamos quatro perfis de grupos e cada um consome e tem uma relação diferente com o dinheiro. Eles ainda estão em estudo, mas dois são a mulher de estilo empreendendor (independentemente de sua faixa renda) e aquela que tem dificuldade de tomar decisão financeira por causa da baixa autoestima. Ainda estamos no meio de uma pesquisa aprofundada no campo para identificar como mulheres e idosos lidam com o dinheiro”, diz Silvia. A entidade está fazendo uma pesquisa com 200 pessoas em 14 municípios para entender melhor as mulheres e idosos que recebem benefícios sociais.

Murilo Portugal, presidente da Febraban, diz que a entidade desenvolveu um projeto piloto com aposentados que haviam contraído empréstimo consignado a um valor médio de R$ 3 mil ou três vezes a renda per capita da região de Surubim (PE). “Pesquisamos esse público e 69% não se arrependeram de tomar o crédito consignado e 89% não se acharam enganados. Elaboramos um programa de rádio com informações sobre o assunto, que foi transmitido durante dois meses. O resultado é que, após esse período, 75% dos aposentados estavam usando as dicas que ouviram no rádio e 92% acharam o programa útil”, conta o presidente da Febraban.

Foco ainda é a escola

Silvia Morais, superintendente da AEF-Brasil, diz que os estudantes de ensino médio têm sido mais beneficiados já que o estudo Mapa da Educação Financeira no Brasil mostra que 31% de todas as iniciativas estão dentro do sistema educacional público e privado. Essa é uma tendência que deve continuar, pois o jovem também é um multiplicador de conceitos de educação financeira na família.

Nos próximos dois anos três mil escolas de ensino médio brasileiras receberão materiais didáticos e terão seus professores treinados pela AEF-Brasil para abordar o tema em sala de aula. A entidade tem uma parceria com o Ministério da Educação (MEC), que vai imprimir o material. Os livros já começam a chegar nas escolas do Rio de Janeiro, Tocantins e Mato Grosso do Sul no primeiro semestre deste ano. Murilo Portugal, presidente da Febraban, diz que o projeto tem patrocínio do Itaú e vai atender 1 milhão de alunos de 14 a 21 anos, além de treinar nove mil professores.

O projeto nas três mil escolas será aberto para as particulares que quiserem aderir. “Vamos disponibilizar os materiais didáticos na internet”, lembra Silvia.

As ações nas escolas fazem parte da Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef), cujo projeto-piloto envolveu mais de 900 escolas desde 2010. “Constatamos que o tema das finanças é aderente à realidade do jovem, que passou a planejar mais e poupar mais. E o mais importante é que ele influencia a família ao receber educação financeira”, conclui Silvia.

Portugal lembra que o projeto-piloto de educação financeira envolveu 27 mil alunos de 448 escolas em cinco estados e depois houve uma comparação com alunos de 500 escolas que não tiveram esse conteúdo. “Pesquisa do Banco Mundial constatou que os alunos de escolas participantes mostraram um nível de letramento financeiro 7% superior sobre aqueles que estudavam em instituições que não tiveram o conteúdo. As famílias dos alunos com educação financeira estavam com um nível de poupança 1% superior. O jovem é indutor de mudança de comportamento dentro da família”, ressalta.

Fonte: Diário do Comércio

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4 respostas em “Planejamento Financeiro

  1. Participei dá palestra sobre planejamento financeiro na faculdade Iescamp ,com o prof Wagner ,a palestra foi muito dinâmica e com dicas muito boas adorei, agora coloco minhas contas em dia com a planilha de gastos obrigada

  2. Tivemo o privilégio de receber a presença do Professor Villalva na escola Tecnica do Colégio Norte Dame Campinas, ministrando a palestra sobre PLANEJAMENTO FINANCEIRO, foi muito enriquecedora. Vários pontos muito delicados, abordados de forma tão dinâmica e divertida, fizeram do tema um momento de descontração, mas acima de tudo de reflexão, gerando uma transformação na maneira de pensar dos alunos! Agradeço sua grande contribuição aos nossos alunos!

  3. Adorei sua Palestra, com certeza será um aprendizado e vou praticar sua tabela, para me curar do consumismo, sozinha e muito difícil, e espero logo daqui a 3 meses dar o testemunho de que sai do vermelho, obrigado por nos direcionar, Palestra muito dinâmica, divertida e com inteligência…

  4. Nossa! Muito boa a Palestra do Professor Wagner Villalba, gostei muito, as orientações pra quem é gastão, e eu que levo nome de muquirana agora já tenho defesa, a palavra certa é econômica, as vezes até me pergunto será que é doença? Faço várias pesquisas sobre algum produto que desejo comprar, as vezes até necessário, mas saio da internet, sem comprar, quando vejo já se passaram até anos. Vou continuar com esse hábito, e evitar os shoppings. Obrigado por ter nos passado tantos conhecimentos, de uma maneira que nos fez pensar,como estamos nos comportando financeiramente.

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